Eu não costumo falar de filmes por aqui, mas como esse tem tudo a ver com internet, ou pelo menos eu achava que tinha resolvi fazer.
Sempre fui um grande admirador dos computadores e vivi a transição computadores, bbs, internet, web e agora vivo a web 2, ou social web.Sou fascinado por tecnologia, Bill Gates e Steve Jobs são os deuses desse ateu. Kevin Mitnick é uma espécie de arcanjo. Larry Page e Sergey Brin são os uma espécie de buda e o Google meu oráculo. E ao contrário de muitos meu demonio é Larry Ellison.
Comecei lá com um XT, passei por diversas maquinas e descobertas, em 94 ou 96, minha memoria de infancia é quase nula. Tive meu primeiro acesso com a bbs, mas me lembro bem da primeira imagem na tela de um navegador, em 98, um oferecimento de STI internet.Já li livros, filmes, series, mini-séries com temática de computadores e por consequencia nerd pra caralho.Sempre gostei mais das grandes aventuras no mundo da informatica, com programação como objeto de ação. Todos os filmes com essa tematica que mais me agradavam tinham esse ponto principal. As relações humanas, estavam ali por um mero acaso, o importante era a descoberta, a invenção.
Por aqui já vale dizer que não gostei do filme, o que não significa que é um filme ruim. Talvez, inclusive, o motivo seja exatamente o explicado acima. A rede social é um filme sobre pessoas com um background de internet. Assim como o facebook o é. Uma internet (e computação), de interação e composição, para seres humanos.
Talvez tudo que eu vá citar daqui pra frente também tenha o olhar viciado supracitado. Mas não tem como se desvencilhar disso, inclusive, pra mim, essa é uma grande diferença ente cinema e livros, livros você faz o background conforme a sua vida. Já a imagem que o cinema proporciona é forte demais pra conseguirmos desvincular.
Vou começar do ponto que mais me incomodou no filme todo, o estereótipo exagerado, mas não em função do estereotipo e cliche, mas em função do papel desse estereótipo tem no filme.Pra começar, veja o vídeo abaixo.
Me lembra muito esse vídeo de merda abaixo.
Vídeozin publicitário motivacional do tipo “use o caralho do filtro solar!”, mas eu não estou dizendo pra você usar pra não ter cancer, porque cancer é uma palavra proibida em vídeos motivacionais. Por isso que eu prefiro o vídeo abaixo, que apesar de não ser muito bom, ainda é melhor do que o filtro solar!
Pelo menos com esse vídeo eu dou risada, com a parte do esperma de macaco, até porque se você falar pra alguém com propriedade isso. A pessoa vai acreditar, pelo menos por alguns minutos.
Retornando ainda sobre o vídeo, geração X, Y, Z da agência box. Eu não gosto desse tipo de estereótipo, tem algumas coisas OK, mas no fim, grandes merdas, o mundo continua o mesmo, o que muda mesmo, são só as ferramentas pra fazermos as mesmas coisas. Ou você acha que existe realmente uma grande diferença entre um filme da década de 40 e de hoje? Sim, eu sei que tem uma diferença do caralho. Mas tenta fazer o exercício mental de levar uma vida que uma pessoa padrão da década de 40 levava, os materiais e ferramentas que ela tinha, pense um pouco nos conceitos da sociedade e agora pense no impacto de um filme, vai ser muito parecido.
Impossível se transportar? Então não precisa ir tão longe. Pegue o filme Ken Park de 2002, e coloque pra exibição pública em algum país fundamentalista do islã. A reação vai ser mais ou menos a mesma que se transportar no tempo. Ou então toda essa ladainha que eu to falando é uma puta de uma besteira, já que eu não sou especialista nessa merda. E só to falando bobagem e trollando você. Interprete como você quiser.
Retornando novamente, geração Y é uma merda, não consegue manter o foco. O filme traça na minha opinião, o perfeito estereótipo, entre esse choque de geração, que é explorado cada dia mais, porque é um assunto que vende, as pessoas, principalmente mais velhas, são fascinadas por esses jovens geeks, que com 25 anos, já tem mais sucesso que muitas delas vão ter, e gera um certo desconforto e curiosidade.
Os gemeos e o outro cara inexpressivo, marca a geração anterior, burocratas, onde o dinheiro é a única possibilidade de se fazer dinheiro. Em que todas as pessoas seguem uma cadeia evolutiva natural, até chegarem no topo. Funcionam como um relogio, em perfeita sincronia, um sabe exatamente aonde a pá do remo do outro vai estar. Planejadores de primeira, porém, sem nenhum expertise de computadores, linhas de código e o descolamento do mundo real necessário para se trocar festas de faculdade e fraternidades por um computador e uma IDE. Também não são grandes adeptos a riscos e exposição, são cavalheiros de Harvard.
Já zuckenberg e Saverin, são o perfeito estereótipo da geração Y. Agitados, sem planejamento, preferem a ação e o ver acontecer. Primeiro saem fazendo pra depois se perguntarem se era possível chegar a algum lugar. Ou até medir as consequencias do que fazem.
Na minha opinião o diretor quis levar muito do filme para esse lado, o embate entre gerações, ou entre a “velha mídia” e a nova mídia, o analogico e o digital. Nomeie como quiser. Inclusive o desfecho do filme foi exatamente o final desse confronto. Em que por mais que os “antigos” tentem manter a tradição, a guerra contra os novos já está perdida, e eles são quem realmente mandam agora. Apesar de isso não fazer a menor diferença, porque do mesmo jeito que sua geração antiga, gigantes se formam durante a mudança, e por lá permanecem, talvez não tão sólidos, por estarem em constante mudança e evolução, mas permanecem. E mantem o mesmo método antigo. Mas enfim, nesse post o objetivo não é falar mal do facebook e o impacto negativo e positivo que ele tem na web.
“Mas não é só apenas isso”, além de tudo que citei acima o embate entre os métodos e pessoas, também é colocado em voga as relações, esse talvez tenha sido o ponto que mais me surpreendeu e que menos gostei.
Tudo no filme é desencadeado em função de um estopin de relacionamento, seja de amizade, seja de amor ou de exclusão de grupos. O filme foi pautado na facebooquização (trocadilho safado com orkutização, palavra tão em voga nos hipados das internetz) do mundo dos negócios. Ele coloca na tela que basicamente a maior rede social foi feita na base do chute na bunda. Ou então, se o zuckenberg tivesse sido convidado pra fraternidade, ou não tivesse levado o toco no rabo da menina ele não teria construído o facebook. Ok, isso pode até acontecer, mas ficou vazio, diminui a capacidade de uma idéia, um insight e muito trabalho e talento, pra apenas raiva e egocentrismo, quero ser o maior, porque eu estou com raiva e quero mostrar que sou melhor que todo mundo. E num desses estopins em função do pé na bunda, pra mim está a pior cena do filme. Em que a namoradinha que esnoba fala que na web não se escreve a lápis, só se escreve a caneta. Porra ta falando sério que o diretor que fez clube da luta também fez um filme com essa cena. Caralho que merda!Algum crítico escreveu que é um filme com a internet de pano de fundo, com uma história que tem aspectos de romances como os de shakespeare, e escreveu isso falando como se fosse bom. E é nesse ponto que a merda foi completa para mim.
A web, a computação, a história de sucesso e todo o escopo que me interessaria num filme desse, foi deixada completamente de lado. Em favor de um filme sobre relacionamento empresarial. Olhando por esse angulo, o filme faz o que o facebook fez com a web para as pessoas, humaniza o site que elas acessam. Não é um filme para os nerds da computação. Para os nerds tem o código Hip.Hop do facebook disponível no git hub, pra ver a arte que os caras fizeram pra botar aquele monstrengo pra funcionar e com isso economizar 700 servidores trocando objetos por arrays.
Finalizando, não consegui entender porque tanto alarde na cena das canoas. Eu já vi um comercial, que não me lembro qual foi, com uma cena muito parecida, inclusive com a mesma música, e a diferença de qualidade e efeitos na minha opinião DE MERDA, muito similar.
E agora pra botar a pá de cal, eu acho que você deve ver A rede social, porque é um bom filme, bem dirigido, com boas atuações. Infelizmente não me agradou, porque eu esperava outra coisa. Como eu disse no twitter a alguns minutos atrás, me pareceu o filme do meio de uma trilogia. Em que você não tem nem o ínicio e nem o final. Mas que me gerou esse sentimento, justamente porque eu não estava esperando um filme sobre relacionamentos, e sim um filme sobre internet, computadores com talvez algum escopo de seres humanos e processos judiciais em que o maior problema era sacar o cheque pra pagar o silêncio. Se tu é nerd de raiz, vai assistir o triunfo dos nerds, piratas do vale do silicio. Ler o livro do kevin mitnick, a arte de invadir e arte de enganar, livro dos códigos, entre muito mais que tem por aí. Até porque nerd de raiz mesmo não tem relacionamento interpessoal então você vai ter a mesma impressão de merda que eu tive do filme.
Playstation (Ou PS se você não for nerd) – Eu só gosto de cinema, então não me encha o saco falando que não manjo nada, porque eu não tenho nenhuma pretensão de manjar porra nenhuma.
Pingback: Já vi muita query bizarra, mas essa é a campeã | RafaelMoreira.net Blog
Rafael, na web não se escreve a lápis, só se escreve a caneta. Você fala muita “merda”. Nao estou me referindo ao seu ponto de vista (pois cada um tem direito a sua) e sim a utilizacao em demasia dessa palavra. Daqui a 25 anos este post ainda podera estar acessivel, pois hoje varios sites fazem um cache para manter a história da internet, e voce poderá chegar a conclusão que devia ter falado menos “merda”.
E eu falo palavrão e merda pra caralho mesmo. Estou fora de ficar nessa de moderar meu palavreado. Eu não sou jornalista e nem escritor. Não tenho compromisso com a boa educação e nem nada do tipo. Muito menos rede de tv aberta. Que prega um moralismo na nossa cabeça.
O único compromisso que eu tenho é com a minha própria consciência hoje. E se hoje eu to afim de falar merda. Eu falo merda. Se amanhã tiver afim de falar bosta eu vou falar bosta.
Falando serio agora. Normalmente esse tipo de texto eu tento mexer o mínimo possível aqui no blog.
Se você quiser dar uma conferida, com ele revisado, modificado e etc. Confira aqui http://www.vortexcultural.com.br/cinema/resenha-a-rede-social/
Aqui eu tento ser o mais natural possível, como se fosse a mesa de um bar. Já que isso aqui não é meu trabalho. Nem tenho pretensão nenhuma disso. Aqui é só uma válvula de escape, e um modo de passar um pouco de informação sobre programação e outras coisas do dia-a-dia.
Mas como você mesmo disse. Essa é a minha opinião, e essa é a sua opinião. E sejamos felizes com as nossas. E a nossa diversidade.
Um abraço e obrigado pelo comentário.