O aspecto binário da internet

Em muitos pontos vou acabar generalizando a coisa toda. Mas é o modo mais fácil de se abordar o que eu quero, nesse momento. Portanto, já está explicado que eu sei que realmente não é um problema de todos, mas infelizmente, da maioria.

A internet, a rede mundial de computadores, como diz a nossa querida Rede Globo. Basicamente consiste, em informações trocadas por computadores. Através do protocolo TCP/IP, tomando a abstração como fato. Todos os esses dados são trocados através de zeros e uns. Ou ligado e desligado. Que é a única línguaque os computadores entendem, no mais baixo nível. Portanto, realmente tudo em algum momento é binário. Porém, chamar a internet de rede mundial de computadores, e não de rede mundial de pessoas, é tirar do cerne da questão, o que realmente faz a internet.

Computadores, hoje pelo menos, em 23/01/2012, não fazem quase nada sozinhos. Não trocam informações por si próprios. Não pensam e não tem opinião. Os computadores, então, na internet, são um meio para o fim. Para as pessoas se comunicarem mais e melhor.

Já as pessoas, ao contrário dos computadores, não são binárias. Não existe apenas certo e errado, não existe apenas preto ou branco. Nossa comunicação verbal, nossa língua, é um bom exemplo disso. Elas são cheias de nuances, traços e particularidades. A mesma palavra dita por pessoas diferentes, ou até mesmo pela mesma pessoa em situações ou com entonações diferentes, pode ter um significado que equivalham o norte ao sul.

Some isso, ao fato da comunicação verbal não ser responsável por 100% do nosso processo de interação, e temos um arcabouço de comunicação, que ao mesmo tempo é sutil, complexo, mas que carregamos e codificamos isso absolutamente automático. Esse Talk do TED http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/daniel_tammet_different_ways_of_knowing.html.

Não é exatamente sobre esse assunto, mas nos faz abrir um pouco os olhos da percepção de como esse sistema é complexo, mas ao mesmo tempo tão automático, que nem nos damos conta.

Na internet, eu não tenho um percentual exato, mas imagino, por experiência, que a maior parte do conteúdo e das comunicações estabelecidas, são através de texto. Só por aí, já da pra perceber o quanto perdemos das nuances de uma comunicação tete a tete. Claro, existem os podcasts, os videocasts, que se comunicam por áudio e vídeo, que por conter mais elementos, deixam mais próxima de uma comunicação real. Porém, estes meios, acabam que são de uma via. A não ser que a aquela “conversa” esteja acontecendo ao vivo, em uma tela ou uma chamada de Skype, o retorno e a troca, não será o mesmo.

Mas, uma comunicação de via única e textual é ruim? E os livros, você não gosta de livros? Claro que gosto, sou um leitor voraz de tudo que aparece na minha frente. E o principal motivo de eu ver uma riqueza enorme na literatura em geral. É o fato que ela permite, por mais que o escritor seja detalhista em suas definições e descrições, que você crie uma imagem mental, daquelas palavras ali contidas. Uma descrição extremamente detalhada de uma árvore, feita por mim, provavelmente, vai gerar uma imagem mental diferente em cada um dos que lerem. E isso vai ser fruto, da linguagem, das experiências prévias de cada um e o modo de interpretar o texto. E tudo isso é muito bom.

Esse mesmo comportamento que temos ao ler um livro e completar os aspectos que faltam, fazemos também, com pessoas que imaginamos ser os interlocutores. Moldamos mentalmente, um quadro de determinada pessoa, com alguns elementos que temos, e acrescentamos à nossa vontade naquele momento, de acordo com nossas expectativas, o que nos falta de informação. Isso é natural, temos essa necessidade de dar ordem ao caos. De completar as lacunas.

Muitas das teorias cientificas, nascem como uma teoria, a partir, primeiro da observação do que temos de dados no momento, depois passa-se a preencher o que falta. Depois é claro, se o cientista for sério, ele colocará a prova o que especula e aquela teoria se tornará um estudo, uma lei. O que quer que seja. E é justamente nesse ponto, que eu chego onde quero. Nas discussões rotineiras da internet, muitas vezes percebo que as pessoas não querem colocar a prova aquelas lacunas que preencheram, se contentam e se agarram a isso, como se fosse uma verdade absoluta. E qualquer argumentação que vai contra seu pensamento inicial, se torna uma afronta ao dogma que ela criou para si mesmo.

Voltando um pouco agora ao aspecto do livro, do meu ponto de vista, quando lemos um livro, temos os interlocutores definidos, o emissor, colocou ali suas palavras e o receptor, se propõe a receber aquilo por motivos que melhor lhe convierem. Seja para ouvir uma boa história. Estudar sobre algum ensaio. Ou até esmiuçar a obra para lhe fazer críticas. Porém, mesmo que o objetivo seja criticar, positiva ou negativamente, dificilmente o receptor terá contato direto com aquele que produziu a obra. Ele pode, até ter é verdade, por meio de uma rede social, por meio de um contato físico, mas o acesso se acederá, em um meio completamente diferente daquele que é criticado ou elogiado. E com algum intervalo de tempo também, talvez o suficiente para se obter um ponto de vista, mais maduro e não tão ao 8 nem tão ao 80.

Em contrapartida, a internet é um meio extremamente democrático, o autor de uma postagem em um blog qualquer, “corre o risco” de ter o seu post suprimido pelos próprios comentários e discussões sobre os assuntos que foram abordados. A ideia inicial principal, inclusive, pode muito bem perder a força e dar lugar a minucias abordadas. Isso pode ser e é muito bom. Se tivermos realmente um debate, uma troca de informações entre as pessoas. Mas infelizmente, quando vejo isso, é uma exceção a regra.

Saindo um pouco do assunto, novamente, um outro aspecto interessante, é que hoje temos conteúdo muito mais abundante do que podemos consumir. E nisso, eu falo de conteúdo de verdade, e não vídeo de gatos mexendo num iPad. Então, naturalmente fazemos as escolhas do que desejamos consumir, de acordo com nossas preferências pessoais. Nada de ruim com isso. O problema, é que acabamos nos fechando demais dentro de nossos próprios interesses e raramente nos deparamos com a opinião contrária, e quando nos deparamos, jogamos pra baixo do tapete ao fingir que não existe, ou ainda pior, assumimos aquilo como uma afronta ao nosso ponto de vista, que por estar tão consolidado por esse círculo vicioso de mais do mesmo, é o único válido.

Ainda sobre a abundância de conteúdo, mesmo nos fechando em círculos de nichos de interesse, temos uma infinidade de fontes sobre as mesmas coisas, então tão logo que termine de ler uma postagem, ouvir um podcast, assistir um vídeo, tenho algumas opções: partir para o próximo; passar pelo local para marcar posição; ou deixar o debate proposto para depois, tendo assim, tempo para digerir a ideia ou pensar mais a respeito. Essa última, no meu ponto de vista é a mais complicada, não que seja ruim, mas por ser realmente difícil, por vários motivos, um deles, os assuntos passam muito rápido. O que hoje é o Hype máximo, amanhã todos esqueceram.

Outro motivo é o acumulo de informação, útil e inútil. Se eu termino de escutar um podcast agora. Depois de 12 horas, eu já terei escutado mais 4, assistido mais 3 videologs, lido umas 5 ou 6 postagens do blog. Apenas consumido mais e mais conteúdo. Além de não ter tido tempo para pensar, afinal eu estava recebendo mais informações, talvez já tenha até esquecido de tudo que li.

O mais óbvio e o mais comum então é ao terminar de se expor por um determinada opinião e muitas vezes antes mesmo de começar, já pendemos para algum lado da história, como se realmente houvesse um, de fato. E tecemos um comentário no instante seguinte ao término. Não há reflexão, a ideia não é digerida, só é cuspido um texto de algumas palavras, seja ele elogioso ou uma crítica que vai muito além do que o texto em si se propõe. E ainda pior, se é a primeira vez que estamos de fronte aquele indivíduo, podemos ir a uma rápida caçada pela vida pessoal, as opiniões sobre outros assuntos. Naturalmente, de acordo com essas informações, já fazemos alguns pré julgamentos, completamos parte de sua personalidade com nossas aspirações. Se for alinhado conosco, tecem-se elogios rasgados, afinal encontrou-se mais um aliado de ideias na vastidão online.

Se for contra o que se pensa, assume-se o lado oposto, e inicia-se uma cruzada, contra aquele pensamento contrário, que é, naturalmente, uma ameaça a tudo que você pensa. E nisso inicia-se um ciclo sem fim, de ataques e contra-ataques. Quem critica é invejoso, cruel, falacioso. Quem é criticado fica na posição de indefeso e mau compreendido. Ou podem-se inverter as posições, dependendo de quem estiver do outro lado do teclado.

Instaura-se, então, o caos de fogo cruzado, em que, muitas vezes argumentos, válidos, elaborados e bem construídos, se perdem no mar de irrelevância, da opinião pré concebida. Do TLDR, do barulho desnecessário, feito apenas para marcar posição.

O problema de tudo isso, é que o debate, que é o mais importante, não deve se basear em A ou B. De quem está certo e quem está errado. Isso, no final das contas é o que menos importa em um debate claro de ideias. O principal aspecto de um debate franco é a troca. O que uma pessoa tem a acrescentar a outra. Debater apenas para descobrir quem está certo certo e quem está errado. Além de vazio, é extremamente perigoso. Explico o porque. Quando nos focamos nesse dualismo, deixamos, inconscientemente de pensar profundamente, de abrir a cabeça para descobrir que provavelmente as ideias do indivíduo A tem alguma razão e fundamentação, enquanto a de indivíduo B, também tem sua razão e fundamentação. E assim quem sabe podemos formar uma terceira ideia C, uma terceira linha de pensamento, que una o melhor de A e B, e assim subimos a discussão de degrau, o nível eleva-se e partimos pra um próximo debate.

O sonho de qualquer ditador, ou qualquer governo totalitário, é diminuir a capacidade de pensamento ao dualismo e às dicotomias. Resumir a capacidade cognitiva ao certo e ao errado.

Quem leu 1984, de George Orwell, sabe o que é a novilíngua, para os que não leram, recomendo absolutamente a leitura. Mas vou explicar o que é. A novilíngua, seria o suposto final da revolução do IngSoc. A edição final do dicionário de novilíngua, o mais simples possível, seria o final e total controle da heterodoxia, e o passo final do partido. Seria o último passo da evolução da Oceania.

Tudo isso, porque a novilíngua, ao contrario de todas as línguas humanais naturais, ao invés de se tornar mais complexa e com mais termos, e principalmente mais termos para as mesmas coisas. Ela consistia na simplificação de tudo, sob o pretexto de eliminar da comunicação a necessidade do pensar. E por assim todo dualismo e contradição seria aceita sem qualquer problema ou desconfiança. Não custa lembrar também, os lemas do IngSoc, Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força. Afinal, quando se tem apenas o certo e errado como opinião sobre algo. No fim das contas pouco importa, se é realmente certo ou errado. Porque será diferente para outro. E como o debate se resume a isso, ele se consumirá em torno de si próprio e nunca chegará a lugar nenhum. É o ponto máximo da ortodoxia, em que mesmo pessoas em discordância, chegam a um ponto final, que é permanecer no mesmo estado de antes.

Tenho alguns exemplos recentes de grandes discussões que rodaram a internet, uma delas é a Usina de Belo Monte. E a outra a ocupação da reitoria da USP, pelos estudantes e depois a agressão de um policial militar contra um estudante.

Nos dois casos, o que se via, era pessoas tomando um dos lados da discussão, seja por ideias compatíveis, seja por ideologia política. Usando a falsa dicotomia, em que ou se estava de um lado, ou outro. E assim, simplesmente ignorando o fato de que havia muito mais do que um lado certo e um lado errado. No caso da USP, por exemplo, muito do que vi, se baseava em chamar os ocupantes dos prédios de comunistas da elite, maconheiros e descopados. Do outro lado, chamando os que apoiavam a força policial, de conservadores de direita, manipulados pelo sistema. Pouco se via alguém tentando realmente entender as reivindicações de quem ocupava o prédio, e parar pra pensar sobre elas. Ao mesmo tempo que parava para entender os motivos daqueles criticavam a invasão, com embasamento, para assim realizar, que na verdade, os dois lados, poderiam ter suas razões.

Com Belo Monte, a coisa toda caminhou para o mesmo caminho, com a diferença, que por se tratar de uma obra de engenharia, ao invés de posição ideológica, eram invocados dados técnicos, muitas vezes ao acaso, e sem domínio nenhum do que estava sendo proclamado, apenas replicando informação, seja de fontes confiáveis ou não.

Enfim, ficaram ainda muitas pontas soltas ainda sobre os diversos assuntos que tentei abordar e que são intrínsecos a esse problema que eu vejo nas discussões em geral pela internet. E o interessante, é que o estopim dessa postagem, foi uma discussão acerca de direitos autorais, tema que não é o foco deste, mas que provavelmente será o assunto do meu próximo post.

Então, se você teve paciência de chegar até aqui, você provavelmente tem paciência para fazer um comentário que seja, fique a vontade de corrigir, caso haja alguma discrepância, ou alguma imbecilidade no seu ponto de vista. Mas por favor, algo mais do que TLDR, não concordo, ou concordo.

Os 10 livros mais caros da imbecilidade humana

Nobres comparsas, hoje infelizmente tive acesso a uma lista dos 10 livros mais caros do mundo. Segue o link pra quem quer saber de mais detalhes. http://flavorwire.com/251055/the-10-most-expensive-books-in-the-world#1

Vou colocar aqui listados todos e os valores, pra que assim entendam mesmo os que não visitarem o link.

E já vou avisando, essas opiniões, são em muito baseadas no que eu penso, e não em teorias, tratados ou modelos economicos. Portanto, se discorda, aprensente pelo menos algo melhor do que, se o cara tem dinheiro, problema é dele.

urizen

The First Book of Urizen, William Blake — $2.5 million

beetle

The Tales of Beedle the Bard, J.K. Rowling — $3.98 million

3-ptolemy

Geographia Cosmographia, Claudius Ptolemy — $4 million

2-poiteau

Traité des arbres fruitiers [Treatise on Fruit Trees] by Henri Louis Duhamel du Monceau, illustrated by Pierre Antoine Poiteau and Pierre Jean François Turpin — $4.5 million

 

The Gutenberg Bible — $4.9 million

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First Folio, William Shakespeare — $6 million

 

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The Canterbury Tales, Geoffrey Chaucer — $7.5 million

Birds of America, James Audubon — $11.5 million

 

The Gospels of Henry the Lion, Order of Saint Benedict — $11.7 million

codex

The Codex Leicester, Leonardo da Vinci — $30.8 million

Bom, se vocês quiserem mais da história sobre cada venda, o link está lá em cima. Mas agora vamos ao assunto principal. O porque eu acho isso estupido.

Primeiro de tudo, o contéúdo de cada um desses livros, está amplamente divulgado, aberto, e livre pra qualquer um que quiser saber sobre o que as palavras lá contidas são. Seja por meio de ebooks, downloads, livros de papel. Então, não é por preservação de conteúdo, o que tornaria ainda pior a situação.

O que me deixa realmente chateado, não é o fato de eu não ter dinheiro para comprá-las, e sim, é que essas são obras que, na minha opinião, não deveriam pertencer a uma pessoa. Goste você ou não, essas são obras que fazem parte da história humana.

Eu vou dar como exemplo a bíblia de Guttenberg. Sou ateu, pra mim deus se escreve com minuscula e a bíblia é um livro de fábulas. Porém, o primeiro livro impresso por tipos móveis. E que só restam 48 no mundo, é um patrimonio da humanidade. Isso não merece ser de ninguém. Na minha opinião, nenhum dinheiro do mundo, poderia ser possível para adquirir algo desse tipo. Isso, deveria é estar em algum museu para visitação. Fotografado, escaneado, raioxzado, página por página, e disponível a qualquer um na internet. Não importa, pra mim, se existem outros 44 iguais, é um livro unico. Ver uma obra dessas, é muito mais do que ver palavras sobre papel. É como ver a inventividade humana, por talvez 10 mil anos de cultura. 5 ou 6 mil anos de história – Como disse anteriormente, esse é um post de opinião, fique a vontade a me corrigir esse tipo de dado.

O primeiro livro, impresso com tipos móveis, talvez seja comparado ao primeiro chip de computador, no que isso pode e fez pela cultura humana como um todo.

Eu estou com o foco em apenas um dos livros, mas todos têm sua importancia. Seja pelo momento que retratam, sua relevância histórica ou a importância do autor. Eu, sendo um vidrado por inovação tecnologica, seja ela da época que for, acabo por dar mais importância a algo que tenha relação direta a isso. Portanto, a bíblia de Guttenberg e os manuscritos de Da Vinci, me chamam mais atenção. Inclusive o assunto desse último, fica pro fim do post.

Tanto como eu acho os direitos autorais, da forma que são hoje, para resumir em uma palavra, ridículos – mas isso é assunto pra outro post. Acho ridículo, uma pessoa poder tem a seu bel prazer, e fazer o que desejar fazer, com obras de importância tão grande e que influenciaram, direta ou indiretamente tantos outros.

Imagine eu, como um milionário excentrico, que gosto de torrar dinheiro, e me acomete um surto psicótico, depois de ler Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e decido queimar minha biblioteca de raridades particulares. Pronto, privei pelo menos algumas pessoas, de nem ao menos poder ver com os próprios olhos, grandes feitos de outrora, ou até da atualidade, como o livro da Rowlling. E depois de queimar os livros, fui pra algum paraíso nas Bahamas, contar meus Yuans, tomando mohitos e fumando um charuto cubano de primeira, mas que deixam os dentes amarelos e o pulmão podre, tanto quanto os de quinta.

Tal como Spielberg fez com as estatuetas de Bette Davis e Clark Gable. Ao comprá-las em leilão e doar para a Academia de Cinema americano. É o que eu acho que deveria ser feito, com obras literarias desse calibre. Mas aí é claro, dependeríamos da boa vontade de algum milionário de bom coração. E convenhamos, esse não é o tipo mais comum que se vê por ai.

Muitas vezes também, a renda desse tipo de leilão é revertida para ações sociais, ou coisas do gênero, sob o pretexto de justificar tal venda. Mas não adianta dizer que é por isso que um milionário compra algo desse tipo. Afinal ele poderia muito bem, se quisesse, doar voluntáriamente, a qualquer momento, e melhor ainda, não teria os 15% de comissão da casa de leilão.

Também há o outro lado, muitas vezes o dono, na maioria dos casos o herdeiro, dessas obras se encontra em condições financeiras, que para pessoas de classe média, seria ótima, mas para eles não está tão boa, e decide se livrar de alguma tralha velha para poder comprar mais algumas caixas de Crystal Champagne. Ou pagar o concerto do Rolls Royce de 40 anos atrás. Ou ainda pagar o advogado no caso de um inventário ou divórcio. Mas esse é assunto, não para outro post, mas para um livro, do qual provavelmente eu não tenho capacidade de escrever, se não, o estaria fazendo, e não publicando esse texto meia boca.

Se uma edificação antiga, ou pelo menos na cidade de São Paulo, existir uma chaminé, remanescente do nascimento industrial paulista, num terreno qualquer. Essa construção, pode ser tombada como patrimonio da humanidade. O que em suma, não faz o proprietário daquele, perder os direitos sobre sua posse. Porém, ele fica completamente engessado com isso. Não pode fazer praticamente nada com aquele espaço, que comercialmente está morto dali pra frente. Porquê não fazer o mesmo com esse tipo de obra? É claro que um edíficio é muito mais fácil de controlar, do que um livro, ou uma obra de arte. Conjecturar é mais fácil do que realmente fazer.

Mas um exemplo de um bom uso de obras raras e de valor cultural, era o que o corrupto dono do falido Banco Santos fazia, Edemar Cid Ferreira. Era um colecionador de artes em geral. Mas não só isso, era um colecionador cartografico de primeira também. Tinha uma grande coleção desse tipo. E regularmente, fazia exposições no espaço cultural, dentro da própria sede de seu Banco, cercada de pompa e dando um aspecto espetacular a coisas não tão espetaculares assim. Eu me lembro, que fui a uma dessas exposições, com meus 14 ou 13 anos. E achei aquele espaço, tudo aquilo que me rodeava, maravilhoso. Virei um fã do Banco Santos, e achava até que aquele seria até um ótimo lugar pra se trabalhar um dia. É claro, que depois veio o senso crítico, e percebi, que um banco não é um lugar a se admirar, e muito menos um ótimo lugar para se matar 1/3 da sua vida trabalhando. Nada contra os bancários, para que fique claro. Mas tudo contra os banqueiros, para que fique mais claro ainda.

Hoje com a massa falida, e todos esses bens em poder do estado. Deixaram em poder da USP, esse material, com o objetivo de ser preservado e também estar acessível ao público, onde esse tipo de obra deve estar, nas universidades, nos museus, nas bibliotecas. Link http://www.cartografiahistorica.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=53&Itemid=90&lang=br . Hoje sinceramente, não sei como está essa coleção, procurei mais algumas informações, mas nada encontrei. Até porque transparência, nem sempre é o forte desse tipo de processo.

Enfim, o texto ficou mais longo do que eu gostaria e ainda não falei da última parte. Dos 10 livros mais caros, 2 foram comprados por fundadores da Microsoft. O livro do Shakespeare, por Paul Alen, e esse foi um dos últimos, se não o último que está em poder de colecionadores particulares. As outras 40 cópias, que ainda existem do mesmo livro, completas ou incompletas, estão espalhados em museus e bibliotecas pelo mundo. Mas o Paul Alen, dono de times de basquete, livros raros e que guarda magoas do Bill Gates, até onde sei, mantém seu livro bem guardado.

Antes de chegar ao Da Vinci, vou falar do Gospels of Henry the Lion, que é um manuscrito do século 12, vendido em 1983, que foi comprado pelo governo alemão, e agora é mantido na Herzog August Library em Wolfenbüttel, Alemanha. Um ótimo exemplo, do que deve ser feito com obras desse tipo. Para um governo, cifras, na casa de qualquer um desses livros, é como nosso troco de bala, ou dinheiro de pinga, se você for dos meus. E o valor de uma obra dessa, para um museu, biblioteca, ou sei la o que, é inestimavel. O valor histórico, é inestimavel.

Por último os manuscritos de Da Vinci, o livro mais caro da história. E você achava que só La Gioconda era valorizada. Imagine só, se existisse cinema na época de Da Vinci, James Cameron, não ia bater tão fácil o recorde do velhote não. Mas deixando de bobagem, a obra foi comprada pelo Bill Gates. E apesar da Microsoft ter abandonado o Open Content Alliance em 2008. A obra passa em exibição em uma cidade por ano, já esteve no museu americano de história natural. Em Tokyo em 2005. E hoje eu não sei onde está.

Inclusive, quem é das antigas com computadores, vai se lembrar do Microsoft Plus! para windows 95 – é, o tempo passa – Nesse pack de wallpapers e protetores de tela, vinha o meu preferido, que eram as paginas digitalizadas desse caderno de anotações de da Vinci.

Não que eu concorde com a posição de Bill Gates, em ter um artigo histórico desses, ainda acho que isso deveria ser posse de algum museu ou biblioteca. Mas pelo menos, sendo exposto em museus mundo afora e amplamente divulgado, é muito melhor do que numa coleção pessoal e disponível apenas para uma alma nutrir seu ego, com um artigo tão raro como esse.

Enfim, esse post, é mais um desabafo, do que qualquer outra coisa. Sobre futilidades da nossa sociedade, que podem parecer bobas em uma primeira análise, até interessantes, poxa, uma pessoa pagou 10 milhões num livro. Mas se pararmos um pouco para pensar, pode significar muito mais que isso. Significa, talvez, que ainda mantemos um elitismo cultural. Além do luxo puro e simples, o acesso mesmo que visual por meios digitais, a partes da história da nossa espécie. Que são aferroalhadas, porque quase ninguem tem 5 milhões de dolares para montar sua biblioteca. Ou melhor, para fazer uma doação à biblioteca nacional.

Indicação screencast Fabio Akita

Post rapido apenas para recomendar fortemente o screencast do Fabio Akita, Entenda software da maneira correta.

Pra quem não sabe o Fabio Akita é um grande agitador da comunidade Ruby no Brasil. Mas nesse screencast específicamente ele não fala de nenhuma linguagem em específico. Apenas de conceitos gerais que devem ser levado em conta no desenvolvimento de software. Cita também muitos erros comuns de alguns projetos.

Além de falar sobre os conceitos de reuso. Que achei muito interessante, também achei muito boa a abordagem das diferenças, que nem sempre acontecem é claro, do desevolvimento de um software proprietário para o software livre. E principalmente o modelo de organização do SL, que numa primeira vista parece ser absolutamente caótico. Mas que olhando melhor, na verdade propicia o desenvolvimento de software bom, com foco em reuso, manutenção e etc.

Enfim, não vou me alongar demais, mas vale muito a pena. O preço é super em conta R$4,99. Segue o link novamente http://www.akitaonrails.com.br/2010/07/01/screencast-entenda-software-da-maneira-correta

Indicação de videocasts do UncleBob

Claro que o Uncle Bob Martin não precisa de nenhuma recomendação minha para nada que ele venha a fazer.

Vou indicar primeiro que se você não o segue no twitter. Siga já, @unclebobmartin. Ele é daqueles que os programadores tem que deixar ali na lista de leitura obrigatória.

Mas enfim, o que estou indicando aqui são os videocasts, na verdade code-casts, que ele chama de Clean Code.

Sai baratinho, $12,00 no segundo e terceiro episódio. E apenas $1,00 no primeiro.

Ou seja, se você ta meio desconfiado se vale a pena ou não. Pegue o primeiro episódio que é super barato.

O mais interessante, que ele apenas falando, sem mostrar uma linha de código, consegue realmente te convencer que você deve manter seu código limpo.

Além disso também, com poucas descrições de falhas comuns, você já consegue perceber certas fraquezas no seu modo de programar e talvez pensar em uma abordagem melhor.

Enfim, fica minha recomendação, seguir o @unclebobmartin e comprar e assistir os code-casts cleancode.

Ah! uma ultima coisa. O filme é editado num esquema chapolin colorado. Que dá um ar meio antigo, vintage, final de 70′ começo de 80′. Usa um fundo verde em algumas cenas, daquele bem tosco, cortando pedaço do objeto na mão. Mas isso dá um toque especial. Pelo menos de engraçado.

Informações bastante úteis para o Imposto de Renda

Nessa época do ano. Muita gente chora de raiva. Porque um leão faminto está a solta. Ele mesmo, o Leão do Imposto de Renda

E todo ano temos que ficar ligados nos prazos. Nas regras, enfim, em toda a papagaiada que o governo inventa. Pra sempre que pode tirar mais e mais dos nossos bolsos.

Enfim, esse site que vou indicar, é um projeto da parte de conteúdo da minha empresa. E que vale a pena conferir.

Todo os dias saem novos artigos, com informações sobre alíquotas, tabelas, dicas na hora da declaração. Enfim, bastante informação que não é exatamente interessante. Porque são impostos. Mas sim, informações úteis, para se atualizar à respeito do Imposto de Renda.

Começamos com informações apenas sobre o IRPF mas logo mais teremos informações sobre IRPJ e outras dicas.

confira www.impostoderenda.net

Como aliar BDD/TDD a técnicas como GTD e pomodoro

Depois de ler o livro The RSpec book, principalmente sua base de conceitos de como fazer ciclos pequenos de programação e tentar na prática aplicar alguns métodos que são explicados no livro. Enxerguei a possibilidade de aliar esses métodos a técnicas de gestão de tempo e tarefas, como GTD (Getting Things Done) e pomodoro.

Meu objetivo não é fazer nenhum guia definitivo. Mas sim, explicar como eu consegui colocar esses dois métodos em prática, pra assim reduzir incrivelmente minha procrastinação nos períodos de sujar a mão no código.

Primeira coisa, para programar seguindo TDD, você vai quebrar sua programação em pequenos ciclos, o que já facilita a identificação das tarefas a serem seguidas. Ao quebrar em por exemplo um ciclo semanal de uma feature nova do seu sistema, você em seguida vai começar a identificar esses passos a serem tomados para conseguir finalmente implementar essa nova aplicação.

Nesse ponto entra um bom software GTD, no meu caso o Things da Cultured Code, nesse posts apps GTD para mac, eu explico um pouco o porquê da minha preferência pelo Things.

Voltando, ao quebrar seu desenvolvimento em pequenos ciclos, o que eu tenho feito é o seguinte: criar um projeto que seria por exemplo meu ciclo semanal, para aquela determinada aplicação. Dentro desse projeto, literalmente destrinchar o processo de criação do código, em todos os ciclos que eu imagino que serão necessários para completar o projeto. É claro que nunca da exatamente certo, sempre vai faltar ou sobrar algum ciclo que esqueceu. Mas isso já da uma boa base, para pensar no todo do projeto e até perceber bem inicialmente se existe alguma falha na sua trilha.

Depois disso que entra o pomodoro technique. Que é básicamente, dividir todo o seu trabalho em pomodoros, que são, pequenos ciclos de 25 minutos de trabalho e 5 minutos de descanso. Com intervalos  maiores de 30 minutos a cada 4 pomodoros. Já da pra sentir uma semelhança com o conceito de BDD/TDD por aí.

A partir do momento em que eu já tenho um plano a seguir do desenvolvimento da minha aplicação. Eu atribuo estimativa de pomodoros no meu plano GTD, de quanto cada um daqueles ciclos de cucumber examples, RSpec Red/Green/Refactor vão levar. Por exemplo eu tenho 2 ciclos, bastante simples, que provavelmente vão levar 25 minutos para serem concluídos, junto esses 2 em 1 tarefa no GTD. Depois vem um ciclo médio, que vai levar mais ou menos 2 horas de programação dedicada, então atribuo a ele 4 pomodoros. Depois tenho um ciclo realmente penoso, que levará 12 pomodoros para ser concluído. Então eu já vejo um pequeno problema por aí. Que provavelmente eu posso dividir isso em 2 ou 3 tarefas. Que deixará mais documentado em termos de tdd, mais organizado no gtd e mais efetivo com o pomodoro.

Depois de algumas semanas aliando essas técnicas, percebi uma melhora muito grande na minha procrastinação. Se eu quero ver o twitter, ou meus feeds, vou fazê-lo nos meus intervalos, e não enquanto programo. Isso parece banal, mas ter pequenos objetivos durante seu dia de trabalho, ajuda e muito na produtividade.

Também consegui perceber que usando essas técnicas, tenho uma noção melhor de quanto tempo leva cada passo de programação o que leva a uma ótima consequencia, que é a maior facilidade de precificar e analizar se um produto ou uma feature vale a pena. Usando os examples de cucumber, e colocando realmente o valor que aquele código trará pra minha aplicação. Em embate com o tempo que ele levará a ser completado.

Enfim, acho que vale a pena para quem não conhece, dar uma olhada nesses modelos de trabalho. Mesmo que não sejam os ideais para você.

The RSpec Book uma excelente leitura sobre BDD e TDD

A duas semanas atrás participei do Ruby Masters Conf. E um dos palestrantes foi o David Chelimsky que é o principal desenvolvedor e mantenedor do RSpec desde 2006.

Até a sua palestra eu não tinha certeza quanto as reais vantagens de programar usando BDD e TDD, pra ser sincero, muitas vezes, achava uma grande perda de tempo, já que você acaba programando o triplo de código do normal, quebra sua programação em diversos micro processos. Além disso, eu também nunca tinha entendido o motivo de tanta febre de refactoring.

Depois da excelente palestra ministrada por ele. Tive uma luz conceitual. Mais ou menos assim. Opa, espera um pouco, não é o método que é ruim, muito pelo contrário, sou eu que nunca peguei o espírito da programação orientada a comportamento e testes.

Mas enfim, depois de sua palestra, ele indicou o seu próprio livro, The RSpec Book. Que é escrito por David Chelimsky, Dave Astels, Zach Dennis, Aslak Hellesøy, Bryan Helmkamp e Dan North.

Resolvi comprar o livro pra pelo menos conhecer um pouco mais a fundo essa metodologia de programação e desenvolvimento de software.

E além do livro tratar de aspectos teóricos, de um novo tipo de abordagem em que todas as partes interessadas no software devem se comunicar de uma forma diferente. Até aspectos bem técnicos de Cucumber e RSpec.

Além do livro, tratar muito de comunicação. Comunicação de código. Ou algo do tipo: como todos os envolvidos nesse projeto, desde de quem pague a conta, até quem faz os algoritmos mais malucos, podem falar entre si nesses testes, pra que todo mundo se entenda. E o resultado final, seja o melhor possível.

Por fim, o livro deixa bem claro que não é um livro sobre ruby, apesar de tanto o Cucumber, quanto o RSpec, serem nativos do Ruby, eles poderiam rodar em outras plataformas também. Mas é um livro sobre habilidade de programação. E realmente, ele tem aspectos técnicos e bastante específicos e informativos para o RSpec e Cucumber que por serem nativos para a linguagem Ruby, naturalmente são mais facilmente absorvidos e colocados em prática pelos rubystas. Porém a maior riqueza do livro está nos conceitos propostos e apresentados sobre essa nova forma de pensar um software. E quebrar paradigmas tradicionais muitas vezes enraizados e que nem sempre são a melhor abordagem para você ou sua empresa.

Enfim, o livro é muito bom, altamente recomendado. A versão de papel vendida no Brasil está muito cara, se for comprar em papel vale mais a pena comprar pela Amazon.

Mas eu recomendo mesmo comprar via Pragmatic Bookshelf a versão em PDF, MOBI e EPUB, sem DRM como já é de costume da PraProg. E caso você seja um apreciador do livro de papel. Compre a versão impressa no bundle, que sai o mesmo preço da versão apenas impressa aqui no Brasil.

Descobri que não sou só eu que xingo nos commits

Eu sempre soube que eu não era o único que xingava o código nos commits.

Mas eu também achava que eu fazia parte de uma minoria pequena, que fica com raiva dos tapas na cara que a programação te dá. E na hora de fazer o commit soltava o verbo.

Mas agora descobri, que não sou tão esquisito assim, segundo esse post do tecnoblog. Um desocupado, montou um código para contabilizar os xingamentos em commits no GitHub.

E a linguagem que mais gera palavrões é o C++, a segunda é Ruby e a terceira Javascript. :P Mais uma inutilidade que a internet nos proporciona.